“ACORDA, Cidade!!!!!

E vieram os primeiros ataques. Assistimos apavorados, homens armados de fuzil assaltarem quiosques e lanchonetes em alguns dos bairros mais movimentados da cidade, para roubar alguns celulares, semijoias e um punhado de dinheiro. Isso tudo, bem debaixo dos narizes de agentes de segurança das forças convencionais e dos projetos de segurança que embelezam a cidade.

Ao mesmo tempo, escolas da região oceânica eram avisadas por telefone e até presencialmente, que se não pagassem uma certa taxa de segurança para um grupo, teriam suas sedes metralhadas, pais e alunos sequestrados e veriam o mais absoluto caos.

Conta estranha essa dos ataques na cidade. Imaginemos um grupo de quatro pessoas, sendo que uma delas porta um fuzil enquanto os outros três empunham pistolas. Um valor, somente em armamento de, no mínimo, 30 mil reais. Um tanto quanto alto, para ter como resultado da ação, alguns celulares e outros tantos trocados, uma vez que a maior parte das transações comerciais são feitas no cartão de crédito ou débito.

Tão acuados ficamos, que confiamos a um civil, sem ligações aparentes com o poder público o domínio absoluto de todas as imagens de monitoramento da cidade. O mesmo civil que opera seu próprio equipamento de dentro da sala de controle da Polícia. Obviamente, ninguém nunca parou para pensar que nossa bela Niterói estaria um dia, sob um ataque direto de grupos organizados, que desejam impor o terror aos cidadãos. Sim. Porque esses roubos em série, assim que acaba o horário comercial e os agentes dos Projetos vão para as suas casas, são simplesmente uma tática para aterrorizar você, que lê este artigo neste momento.

Relatos de comerciantes de várias regiões da cidade dão conta de que eles foram procurados por belos seres humanos cheios de boas intenções, oferecendo segurança para seus estabelecimentos, mediante pagamento, não tão módico.

E então, como que por encanto, surgem as soluções para os ataques. Grupos privados, com agentes públicos na retaguarda, além de outros formados apenas por agentes públicos, chegam para os moradores apavorados, com a fórmula mágica para os seus problemas com a violência: “Nós vamos tomar conta de vocês, desde que nos paguem. E paguem caro!”. Amigos leitores, infelizmente isso é mais que uma realidade. Nós fomos subjugados pelo poder paralelo, que a zona oeste do Rio aprendeu a chamar de Milícia.

Esses belos e formosos homens, que começaram realizando patrulhas armadas e trazendo uma falsa sensação de segurança para a população, uma vez que expulsavam os traficantes das áreas, passaram a dominar os bairros, explorando seus serviços e impondo sua presença de forma violenta. Em 1997, apenas uma comunidade estava sob o poder da milícia. Hoje são 164, partindo para 165, se Niterói não reagir de forma contundente.

Ainda há tempo de não nos curvarmos a isso. Todo esse ataque foi planejado há anos por indivíduos que não foram criados em favelas. Dividem as ruas e os bares com cada um de nós. Infelizmente.

Sandro Araújo
Vereador de Niterói”

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