“Estatal que ia construir o trem-bala ainda existe. E dá prejuízo”

A Empresa de Logística e Planejamento, criada pelo governo Lula para tocar o trem-bala que nunca saiu do papel, tem 17 funcionários com salários acima de R$ 20 mil. Só os salários deles somados chegam a R$ 409 mil por mês. A estatal tem 111 cargos sem concurso.

A Estatal tem orçamento de R$ 69,36 milhões e funciona com apoio de 146 funcionários , sendo apenas 35 servidores concursados. O presidente da EPL, Jorge Bastos, diz que a empresa já produziu 60 projetos e 30 em licitação de terminal portuário. “A estatal não tem trem nem bala”, ironiza o candidato do Podemos, Alvaro Dias, que promete extingui-la caso eleito

 

O ex-diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) Jorge Luiz Bastos assumiu ontem a presidência da Empresa de Planejamento e Logística (EPL). A estatal, criada em 2012 pela ex-presidente Dilma Rousseff, chega ao sétimo comando diferente em menos de seis anos — média aproximada de uma troca a cada nove meses.

Responsável por estudos na área de infraestrutura de transportes, a EPL tornou-se alvo de críticas de presidenciáveis, que cogitam publicamente a possibilidade de fechá-la. Ela nasceu tendo o economista Bernardo Figueiredo como presidente. Ele foi o idealizador do primeiro programa de concessões lançado pela petista, que previa 10 mil quilômetros de novas ferrovias, mas nada avançou. A grande realização foram as licitações de rodovias federais.

Figueiredo foi substituído pelo ex-ministro dos Transportes Paulo Sérgio Passos, apadrinhado pelo PR, mas um dos “xodós” de Dilma na área. Passos deu lugar a Josias Sampaio, ex-presidente da estatal Valec, que passou o bastão para Daniel Sigelmann. Entre os dois, houve um presidente-tampão. Sigelmann tornou-se secretário-executivo da Casa Civil no início da gestão Temer.

Quem assumiu sua cadeira foi José Carlos Medaglia, funcionário de carreira da Caixa Econômica Federal e ex-vice-presidente da instituição financeira, que ontem se despediu do cargo para se tornar secretário especial-adjunto do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

Bastos, cujo mandato na ANTT expirou em fevereiro, não é técnico do setor. No entanto, tem o respeito do mercado pela capacidade de diálogo e amplo trânsito entre lideranças políticas. É visto como gestor experiente e com elevada capacidade de resolver problemas. Acompanhou de perto leilões de rodovias e a preparação de novas concessões de ferrovias. Sua indicação é atribuída ao grupo do MDB no Senado.

Nascida com a atribuição de conduzir o leilão e o modelo de negócios do fracassado projeto do trem de alta velocidade Rio-São PauloCampinas, a antiga Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade (Etav) foi rebatizada como EPL no pacote de concessões em 2012. A estatal ocupa dois andares inteiros no Parque da Cidade Corporate, um dos edifícios comerciais mais luxuosos de Brasília.

Com 140 funcionários cedidos por outros órgãos, como a Valec e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a EPL ainda carrega a pecha de “estatal do trem-bala”. “A empresa foi criada para fazer o trem-bala. Não tem trem, e a estatal está lá”, disse recentemente o tucano Geraldo Alckmin, ao listar companhias controladas pela União que poderiam ser extintas.

Para Bastos, a EPL não é dispensável e precisa oferecer um estoque permanente de projetos de infraestrutura ao governo. “O grande desafio é fazer projetos com credibilidade e consistência”, disse. Ele lembrou que concessões recentes de aeroportos e rodovias estão com desequilíbrios econômicos e tornaram-se dor de cabeça para os envolvidos — empresas, União e agências reguladoras. “Todos os contratos com problema têm origem na qualidade dos projetos.”

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here